Um professor que visa proporcionar uma aprendizagem de
qualidade aos seus alunos, deve, obrigatoriamente, tomar atenção às suas
próprias fragilidades.
Ora, quando assim o é, o professor toma noção do que deve
melhorar como profissional e como pessoa.
O conhecimento científico não se adquire simplesmente pela
vivência de situações quotidianas dos alunos. Há a necessidade de uma
intervenção planeada do professor, a quem cabe a responsabilidade de
sistematizar o conhecimento, de acordo com o nível etário dos alunos e dos
contextos escolares. Como docente, apercebi-me de que uma das minhas
fragilidades era a forma como encarava, durante a minha prática pedagógica, o
papel do método científico no currículo do ensino básico. Papel este, limitado
ao manual utilizado em contexto de sala de aula.
Desta forma, senti o interesse de
aprender e aprofundar mais sobre temáticas diferentes daquelas que surgem nos
manuais escolares de estudo do meio. Queria dinamizar a integração
de saberes. Queria abranger conteúdos de várias áreas que não só os dos Estudo
de Meio. Queria mais do
que desenvolver atividades experimentais em contexto de sala de aula com os
alunos. Queria aprender a relacionar conceitos com a prática, saber despertar
nos alunos a atitude de observar o meio envolvente, partir do conhecido e
aprender o desconhecido, fazendo saídas de campo, planeando roteiros de observação,
entre outras formas.
Quando, em conversa com as restantes professoras de escola,
ouvi falar em frequentar uma ação de formação sobre os Ecossistemas Marinhos,
pensei imediatamente que seria uma excelente oportunidade de aprender algo
diferente e ia de encontro às necessidades anteriormente referidas. Decidi
inscrever-me e hoje sinto que beneficiei imenso com a mesma.
Durante a sua frequência, trabalhei em parceria com as outras
professoras da escola, no sentido de desenvolver um projeto comum: este
portefólio. Com a cooperação de todas, abri os olhos para imensas aprendizagens
que podemos adquirir numa simples ida a uma praia ou a um mercado, algo
conhecido ou quotidiano para os alunos, e perceber que estas duas dimensões
oferecem-nos um mundo de saberes, algo desconhecido para os mesmos; aprendi a observar
um peixe de outra forma, a observar uma concha, um búzio, uma estrela-do-mar ou
uma alga com um olhar científico e curioso…Aprendi a observar com olhos de ver!
Hoje, partilho esta atitude com os meus alunos,
despertando-lhes o olhar curioso sobre tudo o que lhes rodeia. Ao contrário do
que sabiam, antes de todo o trabalho desenvolvido nos últimos meses, agora
sabem desenhar peixes diferentes, sabem que os peixes são todos diferentes, têm
deslocações diferentes. Sabem hoje, por exemplo, que o caranguejo usa uma
carapaça e que tal como a unha do Homem, está sempre a crescer e quando chega
ao seu limite, a carapaça sai e é substituída por outra. Sabem, também, o
significado de alguns conceitos científicos como fusiforme, achatado…
Hoje, aos olhos dos meus alunos, o peixe não é só um animal
que surge no livro de estudo do meio que exemplifica um animal que tem o corpo
coberto de escamas, tem barbatanas e respira por guelras. O peixe é muito mais
do que isto!
Acima de tudo, hoje veem o peixe e tudo o que existe no mar, como
uma fonte de seres vivos diferentes!
A partir daqui, espero continuar a desenvolver este espírito
curioso nos meus alunos para trabalhar outros temas e aprender muito mais do
que está no manual.