segunda-feira, 16 de abril de 2012

Reflexão Linda Inocêncio


Um professor que visa proporcionar uma aprendizagem de qualidade aos seus alunos, deve, obrigatoriamente, tomar atenção às suas próprias fragilidades.
Ora, quando assim o é, o professor toma noção do que deve melhorar como profissional e como pessoa.
O conhecimento científico não se adquire simplesmente pela vivência de situações quotidianas dos alunos. Há a necessidade de uma intervenção planeada do professor, a quem cabe a responsabilidade de sistematizar o conhecimento, de acordo com o nível etário dos alunos e dos contextos escolares. Como docente, apercebi-me de que uma das minhas fragilidades era a forma como encarava, durante a minha prática pedagógica, o papel do método científico no currículo do ensino básico. Papel este, limitado ao manual utilizado em contexto de sala de aula.
Desta forma, senti o interesse de aprender e aprofundar mais sobre temáticas diferentes daquelas que surgem nos manuais escolares de estudo do meio. Queria dinamizar a integração de saberes. Queria abranger conteúdos de várias áreas que não só os dos Estudo de Meio. Queria mais do que desenvolver atividades experimentais em contexto de sala de aula com os alunos. Queria aprender a relacionar conceitos com a prática, saber despertar nos alunos a atitude de observar o meio envolvente, partir do conhecido e aprender o desconhecido, fazendo saídas de campo, planeando roteiros de observação, entre outras formas.
Quando, em conversa com as restantes professoras de escola, ouvi falar em frequentar uma ação de formação sobre os Ecossistemas Marinhos, pensei imediatamente que seria uma excelente oportunidade de aprender algo diferente e ia de encontro às necessidades anteriormente referidas. Decidi inscrever-me e hoje sinto que beneficiei imenso com a mesma.
Durante a sua frequência, trabalhei em parceria com as outras professoras da escola, no sentido de desenvolver um projeto comum: este portefólio. Com a cooperação de todas, abri os olhos para imensas aprendizagens que podemos adquirir numa simples ida a uma praia ou a um mercado, algo conhecido ou quotidiano para os alunos, e perceber que estas duas dimensões oferecem-nos um mundo de saberes, algo desconhecido para os mesmos; aprendi a observar um peixe de outra forma, a observar uma concha, um búzio, uma estrela-do-mar ou uma alga com um olhar científico e curioso…Aprendi a observar com olhos de ver!
Hoje, partilho esta atitude com os meus alunos, despertando-lhes o olhar curioso sobre tudo o que lhes rodeia. Ao contrário do que sabiam, antes de todo o trabalho desenvolvido nos últimos meses, agora sabem desenhar peixes diferentes, sabem que os peixes são todos diferentes, têm deslocações diferentes. Sabem hoje, por exemplo, que o caranguejo usa uma carapaça e que tal como a unha do Homem, está sempre a crescer e quando chega ao seu limite, a carapaça sai e é substituída por outra. Sabem, também, o significado de alguns conceitos científicos como fusiforme, achatado…
Hoje, aos olhos dos meus alunos, o peixe não é só um animal que surge no livro de estudo do meio que exemplifica um animal que tem o corpo coberto de escamas, tem barbatanas e respira por guelras. O peixe é muito mais do que isto!
Acima de tudo, hoje veem o peixe e tudo o que existe no mar, como uma fonte de seres vivos diferentes!
A partir daqui, espero continuar a desenvolver este espírito curioso nos meus alunos para trabalhar outros temas e aprender muito mais do que está no manual.

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